Crivella lança cooperativa de costura na Região Portuária

Social | 29/09/2017

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, participou nesta sexta-feira, dia 29, do lançamento da Cooperativa Maravilha, que reúne ateliês de costura da Região Portuária num galpão no bairro de Santo Cristo. São 16 costureiras e costureiros que se associaram para fechar contratos com grandes empresas da cidade. Além de receber encomendas de maior porte, eles poderão participar de licitações.


Crivella recebe camisa das costureiras da Cooperativa Maravilha

A VLT Carioca foi a primeira empresa privada da região a apoiar a cooperativa, com um pedido inicial de 510 uniformes para equipes operacionais. A entrega está prevista para o fim de outubro, mas a concessionária que opera o sistema VLT da cidade já adiantou o pagamento, cerca de R$ 20 mil.
- Nós precisamos fazer com que nessas comunidades tenhamos atividade econômica. Acho que o município pode dar o primeiro passo encomendando uniforme escolar, roupa de gari e do pessoal da Guarda Municipal. Nós temos um projeto de lei na Câmara Municipal para tirar impostos dessas pequenas cooperativas, pagar imposto nenhum, torná-las mais lucrativas, com um preço melhor - afirmou Crivella, que aplaudiu a iniciativa da VLT Carioca.
A Cooperativa Maravilha é fruto de uma parceria entre a Prefeitura do Rio, por meio da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (Cdurp), o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado do Rio de Janeiro (Sescoop-RJ) e o Centro Brasileiro de Estudos em Design de Vestuário (CBEDV). A Cdurp  reformou duas salas do galpão, e as máquinas de costura foram cedidas por duas ONGs: Som+Eu e Providenciando a Favor da Vida .
- Hoje é o marco de um projeto que tem tudo para transformar a vida desse grupo empreendedor da Região Portuária. Essa cooperativa é uma iniciativa que vai contribuir para o desenvolvimento socioeconômico dos moradores daqui - afirmou Antonio Carlos Barbosa, presidente da Cdurp.
A Prefeitura mobilizou parceiros da área para facilitar a formalização de contratos que vão gerar trabalho e renda para os moradores de toda a Região Portuária. Ao falar em nome da Cooperativa Maravilha, Raquel Spinelli fez um agradecimento especial ao prefeito.
  • O senhor (Crivella) teve a sensibilidade de pensar nas pessoas que moram na comunidade.  Aqui tem gente do Morro da Previdência, Morro do Pinto, da Gamboa, da Saúde. Pessoas que têm potencial para participar da revitalização da Região Portuária. A gente só precisava ter uma oportunidade para mostrar que temos um serviço bom, de qualidade - disse Raquel.
Perfil de alguns dos participantes
Janice Maria da Silva, 49 anos, moradora da Gamboa. Trabalha como costureira desde 1989. Há quase 29 anos.  Inicialmente era funcionária de empresas do setor, mas há 10 anos tomou a decisão de trabalhar em casa, motivada por uma questão familiar. Hoje, com o apoio do filho Erivan e do antigo empregador – que aceitou  terceirizá-la e mantê-la como prestadora de serviços, é uma especialista em facção. “Portas abertas. A gente que lida com esse tipo de função corre muito atrás do cliente. Essa iniciativa abre as portas do cliente”.
Erivan José dos Santos Júnior, 31 anos, morador da Gamboa. Ex-vigilante. Começou como costureiro há 10 anos, ajudando a mãe (Janice) e prosseguiu na profissão, especializando-se com o tempo. Tem experiência com corte e silk screen e habilidade com equipamentos e parte elétrica. “Vejo o projeto como oportunidade para o futuro.”
Rosane Ferreira Guzzo, 47 anos, moradora da Saúde. Nascida na região e moradora da Saúde (na Pró-Matre, frisa), decidiu participar da cooperativa a partir da experiência prévia de dar aulas de costura para mães e mulheres de projeto social Som+Eu, do Morro da Providência. Já trabalhou com costura em casa, em loja e, atualmente, mantém ateliê na Rua Camerino.“Penso que a gente pode conseguir se beneficiar da nova economia que chegou à região após a revitalização. As grandes empresas ganham, e os pequenos participam desse crescimento.”
Marlene Rocha da Silva, 56 anos, moradora do Santo Cristo. Há 30 anos atua no ramo, acumulando experiência em costura e consertos. Trabalhou ainda em empresas e produção de cabelos. Tem larga experiência no processo industrial de costura. Especializada em costura reta. Bordadeira. “Acredito que trabalhar nesta cooperativa pode melhorar a minha renda e me ajudar a conquistar estabilidade financeira.”
Eliana de Fátima Rosa da Costa, 53 anos, moradora da Saúde. Mineira que adotou a região portuária há 25 anos, trabalhava em hospital como enfermeira, mas sempre cultivou o sonho de trabalhar com costura. Trabalhou como oficineira ensinando trabalhos manuais em projeto de parceria entre a Escola Municipal e Unesco. Especializou-se na área têxtil e cursou Faculdade de Modelagem pela necessidade de aprofundar o conhecimento deste universo. A costura profissional veio a partir daí. Tem ateliê de costura na Saúde.“O bairro aqui era muito carente de oportunidades, então achei que, para as mulheres, a cooperativa supre uma carência e abre olhar específico para esse setor, porque há muitas costureiras na área. Estava sempre buscando algo e não encontrava. Se der certo, vai ser de grande valor.”
Raquel da Gama Spinelli, 32 anos, moradora do Santo Cristo. Administra ONG na área há seis anos que mantém ateliê de costura voltado à confecção de enxoval de bebê e atendimento de meninas grávidas. O Projeto social Providenciando a Favor da Vida, do Morro da Providência, ensina costura e artesanato para os participantes. “Muitas meninas aprenderam a costurar lá no projeto para desenvolver renda com esse trabalho. Ainda não tinham abraçado essa etapa de conquistar trabalhos de grande porte. Essa é uma oportunidade para que elas atinjam essas possibilidades.”

*Com informações do Portal da Prefeitura do Rio 
Foto: Bruno Bartholini